quinta-feira, 27 de março de 2014
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Candidato a ser pauta: Aqui é Fulano de Assis, tenho uma sugestão de pauta para vocês.
Produtor, que esta louco por uma pauta: Opa! O que o senhor manda?
Candidato empolgado: Meu filho foi campão do mundial de gude no final de semana passada.
Produtor, agora confuso: Campeão mundial de quê?
Candidato, puto com o desconhecimento do produtor: Gude meu filho. Aquelas bolinhas pequenas que a gente coloca nos buracos. Meu filho foi campeão mundial de gude.
Produtor, querendo de volta o respeito do candidato a pauta: Que legal! Não sabia que tinha torneio mundial de gude. Onde foi isso?
Candidato a ser pauta: Foi aqui no bairro da Muriçoca. Foram mais de cem competidores.
Produtor, ainda surpreso: E quantos países participaram?
Candidato a ser pauta: Nesta primeira edição só o Brasil.
Produtor, doido para tirar onda com o candidato: E porque Campeonato Mundial se só o Brasil participou? Teve atletas de outros Estados pelo menos?
Candidato, vendo que sua sugestão não vai dar certo: Só foram atletas daqui da cidade. É o primeiro mundial e é assim mesmo. Você já ouviu falar em outro torneio de gude?
Produtor, com uma solução: Vamos fazer o seguinte, nós vamos entrevistar seu filho, mas teremos que mudar o nome do torneio para Municipal Cup de Gude. Certo?
O agora pauta: certo!
E assim, o produtor criou mais uma pauta, deixou o repórter mais puto da vida e o pautado ganhou uma mídia.
Infelizmente é assim que os repórteres acham que a gente produz as matérias deles. E não é bem assim.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Ninguém parabeniza um produtor quando uma reportagem sai benfeita. Poucos sabem o que estes seres ouvem quando um entrevistado atrasa um milésimo de segundo. Quase ninguém enxerga os olhares ferozes quando os seres superiores (repórteres) não gostam da pauta.
Mas descobri que não são só os repórteres os que castigam as mentes dos produtores. Os pautados não ficam atrás. Por exemplo, a gente marca a entrevista para ser às 14h, na Praça João Paulo II, em frente à igreja. O cidadão chega às 14h30 e fica esperando em frente à padaria. Quem leva chumbo? E quando não aceitam o foco da matéria? As orelhas esquentam.
Ao contrário do que pensava, porém, produtor, repórter e os pautados não são inimigos. São colegas que buscam a mesma coisa: a boa reportagem. Inimigo mesmo é uma senhora que sempre está do outro lado da linha e diz: 'este número está fora de área ou desligado. Tente mais tarde'. Os produtores 'pira' quando ela aparece.
A experiência foi ótima. Minha gratidão a Palloma Vasconcelos que sofre há um bom tempo e ama a profissão. Que o estagiário, Felipe de Pádua, leve na esportiva os desafios desta função.
Amanhã, demonstro como os repórteres imaginam nosso trabalho.
quarta-feira, 24 de julho de 2013
terça-feira, 23 de julho de 2013
É mais ou menos assim:
Repórter liga para o pauteiro e diz - Você colocou na pauta que o entrevistado estaria na praça às 15h, são 15h05min e nada dele. Tem certeza que ele falou 15h?
O produtor, que está apurando mais duas possíveis pautas responde - Claro que eu tenho. Você ligou para ele quando chegou?
O repórter responde - Eu ainda tenho que ligar? Pensei que já estivesse tudo certo.
O produtor percebendo a 'boa vontade' do repórter cutuca - Claro que está tudo certo, mas ele pediu para ligar e eu coloquei na pauta esta informação. Você leu?
O repórter olha na pauta para ver se realmente tem esta orientação e diz - Claro que eu li, só achei que já estava tudo certo.
Pauteiro, agora com um tom que se usa para mandar o repórter a lugares impublicáveis, mas diz - Então liga para ele e faça a entrevista.
Três minutos depois...
Repórter - Estou ligando, mas o telefone do entrevistado está desligado.
Produtor - Como assim? Ligou para os três números que indiquei?
Repórter - Sim, os três não estão concluindo a ligação.
Produtor - Só um momento...
Dois minutos depois...
Produtor - Acabei de falar com ele, ele disse que está no banco de frente para o Mercado, como indiquei na pauta. Onde você está?
Repórter - Aqui na pauta só diz que ele estaria na praça, e eu não o vejo. Estou no meio da praça.
Produtor - Está no último parágrafo. Vá até o banco em frente ao Mercado que você vai encontrá-lo.
Assim, o repórter encontra o entrevistado 30 minutos depois, que vai logo avisando: - vocês demoraram muito, só tenho cinco minutos para a entrevista.
LEIA TAMBÉM!
A pauta que o pariu
O salário do jabá é o descrédito
segunda-feira, 22 de julho de 2013
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Não é fácil encontrar o Eike Batista, mas se algum dia isto acontecer, preparei três perguntas para o empresário sobre o seu declínio. Ele tem boa comunicação pela internet, mas seria legal mesmo pessoalmente.
Confira!
1- Uma das lições de empreendedorismo é conhecer o produto em que está se investindo. Você investiu em um monte de negócios que provavelmente não conhecia. Isto seria uma das explicações para a sua queda financeira?
2- O que dizer para as pessoas que investiram em seus produtos que não saíram do papel?
3- O sucesso subiu para cabeça?
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Este cidadão desconhecido do público costuma, ou deveria ser, um dos mais experientes. A ele cabe a missão de encontrar, depurar e mastigar as principais notícias do dia. Os coitados precisam se matar para entregar aos repórteres e este passar para os consumidores.
A pauta está em todos os lugares. Apesar disto, é preciso ter olho clínico para encontrá-lo.
Qualquer pessoa sabe determinar que um fato inédito ou bizarro é notícia. Quantos internautas entregam gratuitamente informações sobre acidentes, assassinatos, ação da natureza para sites jornalísticos? Isto mostra que mesmo sem conhecimento específico, eles sabe que isto é informação. Afinal, eles consomem.
Mas estas coisas não acontecem com frequência que os pauteiros queriam. Além disso, é preciso preencher as páginas dos jornais impressos e virtuais, cumprir o horário reservado para o rádio jornalismo e televisivo.
Nestes momentos é se revela o bom pauteiro. Ele descobre em algo tão batido um fato inédito ou uma abordagem ainda não utilizada pelos concorrentes.
Um dos grandes pauteiros de Sergipe, o finado Cleomar Brandi, ensinou que um bom exercício para ser produtor de qualidade é escrever crônicas regularmente. Fica a dica!
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Este blogueiro já trabalhou em três redações e em todas elas o plantão é um sacrifício.
Eu e os meus colegas queríamos matá-lo, mas isso é impossível.
O plantão consiste em trabalhar no sábado e domingo. Quando cumprido, o jornalista trabalha duas semanas seguidas.
E o que dizer de um plantão com feriado prolongado? Como no carnaval agora?
É uma loucura.
Mas os plantões costumam ser divertidos. Desde que seja planejado na sexta-feira.
Há um ano só fazendo esporte, não costumo ter dificuldades. Afinal, esportes acontecem no fim de semana.
Mas na véspera de carnaval, já sei que os desportistas estarão em seus blocos. Se divertindo.
Então é sexta-feira. Já sei que precisarei quebrar a cabeça para produzir os conteúdos. Quando isso acontece, o plantão fica looooooongo.
Mas vamos à luta!
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Eles não conheciam o termo técnico para esta prática: o jabá. Por sinal, este alimento fazia parte do cardápio dos amigos.
O jabá costuma ser salgado e este sal que conserva a carne bovina pode ser um problema para a saúde. Os amigos em questão, por exemplo,eram todos obesos e com problemas cardíacos. No meio jornalístico, o sal que faz engordar a conta do infrator também é responsável por estragar as artérias que levam o trabalho do jornalista a credibilidade.
Após a constatação de que o repórter era corrupto, os amigos deixaram o assunto de lado. Eles tinham em mente a seguinte lógica: se a agressão fosse verdadeira, a história seria alvo do canal rival. Pode até ser gostoso, mas o jabá leva o jornalista a lugar nenhum. Melhor, leva sim: para demissão. Nenhum patrão vai querer essa fama para seu jornal. A não ser que ele seja jabazeiro também.
A história em questão é fictícia. Qualquer semelhança é pura coincidência.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Um número considerável de jornalistas, me incluo nesta lista, odeia decupar entrevistas. A maioria deles, também estou incluído, ama ver o trabalho editado. As longas entrevistas costumam dar qualidade à audiência. Não é qualquer um que tem paciência para consumir este produto jornalístico. Mas até chegar na parte da edição...
A melhor parte é a da entrevista em si. Quando você liga o gravador e começa a extrair o que de melhor, ou pior, seu personagem tem a oferecer. Tem umas vinte perguntas selecionadas, mas na maioria das vezes, as melhores respostas saem de uma pergunta que teve como gancho a resposta anterior.
Após o bate papo, alguns colegas partem logo para a missão de colocar a conversa no papel. Já não tenho este perfil. Prefiro ouvir uma, ou duas, vezes a conversa antes de transcrever. Esse trabalho me ajuda a pensar na edição. Depois, computador ligado, fone no ouvido e play no gravador.
E começa o sacrifício
Alguns entrevistados são tão lentos ao falar que você pode digitar e ouvir ao mesmo tempo. Mas a maioria fala na velocidade normal. É quando precisa pausar o gravador. Você pode ter umas mil horas de decupagem, mas sempre vai confundir o pause com o stop. E o cabelo paga o pato.
Me orientaram a passar a gravação para o computador e dele fazer a decupagem, mas nem assim escapo do erro. Aliás, ganhei duas teclas a mais para me confundir: o de ir para próxima faixa e vice-versa.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
O gol aos 46 minutos do segundo tempo, ou mais, é um feito Hércules para o clube que fez e uma tragédia para o que levou. Para jornalista esportivo que cobre a peleja uma dor de cabeça.
Imagine você, um time empatando e vence, ou perde, nos acréscimos do árbitro. A alegria da vitória suada para o vencedor e o choro amargo de quem viu escapar por entre os dedos os três pontos.
Para o jornalista esportivo, esse gol fora do tempo não é nada mais que recriar todo o texto em cima da hora. Um saco!
Nesta quarta-feira, o Confiança vencia o Sousa por 2 a 1 no Batistão pela Copa do Nordeste. Os proletários já comemoravam a vitoria de virada? No apagar das luzes levou o gol de empate. Quem trabalha com on-line, como eu, teve que refazer toda crônica por conta daquele miserável gol de Márcio Tarrafas.
Imagina o repórter de TV que já fez sua passagem com a vitória do time e ver aquele gol fantasma mudar todo seu off. E o repórter do impresso? Ele já avançou o deadline e agora terá que gritar na gráfica: parem as máquinas! Saiu um gol inesperado nos acréscimos! Te garanto que o texto sairá com 'probemas de dgitação'.
Para o Confiança e o Sousa sobrou lamentos. Afinal, o empate não ajudou em nada em suas pretensões. Melhor para o time sergipana que ainda está na zona de classificação. Para nós jornalistas, o texto saiu do mesmo jeito. Apenas com uma pitada de azedume por um gol nos acréscimos.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
- Esses caras (do globoesporte.com/se) torcem para o nosso rival, só fazem matérias negativas com o nosso poderoso time - afirmam os adeptos do Sergipe, Confiança e Itabaiana.
Por isso, resolvi falar sobre nossa missão
1º - Nós não somos a mola propulsora do futebol local. Ou seja, não ajudamos no crescimento do futebol do Estado. Quem deve fazer isso são os clubes com sua federação.
2º - Assim, nós apenas relatamos os fatos, não importa se negativos ou positivos. Quanto mais positivos, melhor. Mas não somos nós quem decide isso, são as ações dos dirigentes.
3º - Não somos assessoria de comunicação. Por isso, não nos interessa se o fato, que já foi exaustivamente apurado, interfira na relação do clube com o torcedor e/ou patrocinador.
Para finalizar, cito uma declaração do técnico Mano Menezes quando assumiu o Corinthians: 'O Corinthians só vai se reerguer quando os torcedores se limitarem a torcer, os dirigentes a administrar, os jogadores a jogar, o técnico a comandar e a imprensa a relatar os fatos'
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
- Bom dia! Só não entendi o meu amigo? Te conheço de onde?
- Eu sou desta rua, moro naquela casa ali ó.
- Engraçado, moro aqui há cinco anos e nunca o vi nesta rua.
- É que trabalho muito de dia e a noite faço alguns trabalhos na comunidade do Norte da cidade.
- Oxente! Poderia fazer uns trabalhos comunitários aqui. Tantos adolescentes sem o que fazer.
- É que eu comecei por lá e preferi manter o trabalho.
- E que trabalho é esse?
- Bom, trabalho como servidor público
- Perguntei o sobre o trabalho comunitário que o senhor faz na Zona Norte.
- Ah bom! Éééé
- É o que?
- Peraí, esqueci o nome
- Como assim esqueceu o nome do trabalho?
- Trabalho com reciclagem
- Reciclagem né?
- Isso
- Eu não vou votar no senhor não!
- Como o senhor sabe que sou candidato? E por que não vai votar na minha pessoa?
- Eu sei que o senhor não mora aqui, mora na Zona Norte. Sei que o seu trabalho de reciclagem não é comunitário, pois cata latinhas para ganhar dinheiro.
- O senhor me julga pelo que faço e por que tantas perguntas?
- Foi uma oportunidade que dei para o senhor mostrar que é diferente dos outros, mas com tantas mentiras não fará a tal mudança de seu slogan de campanha. Agora, me dê licença, preciso me recompor para testar outro colega seu, que já está na sua suposta casa, falando com o meu pai.
domingo, 18 de dezembro de 2011
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Considerada por muitos a melhor apresentadora de Sergipe, há quem diga que das globais no Nordeste é a melhor, Susane Vidal deixa sua marca no jornalismo, nos negócios, na academia e agora na blogosfera.
Como jornalista, deixou sua marca ao meio dia na TV Sergipe ao apresentar o SETV. Paralelamente, faz trabalhos como mestre de cerimônia. Além de ser professora das disciplinas de Telejornalismo da Universidade Tiradentes (UNIT).
Agora, na blogosfera há um ano, ela usa o espaço, onde muitos colegas preferem noticiar ou comentar fatos, para falar do cotidiano e sobre sua visão de mundo. "... numa relação um pouco mais intimista, ao abordar assuntos genéricos, com um olhar crítico e pessoal".
Confira a entrevista com Susane Vidal sobre suas atividades e como usa o blog para promover seu trabalho. De imediato, quero agradecer por interromper o planejamento de aula na Universidade para atender este blog.
Isca do Jornalista - O que te motivou a entrar na blogosfera?
Susane Vidal
A web é, sem dúvida, um meio bastante democrático, em que suas ideias, opiniões, provocações não se esvaziam no tempo. Muito pelo contrário, elas tomam forma à medida que outros leitores participam desse universo brilhante de disseminação de conhecimento e entretenimento. A condição de jornalista (editora e âncora do SETV 1, da TV Sergipe, afiliada da Rede Globo) e professora universitária (do curso de Jornalismo da Universidade Tiradentes) me leva à necessidade de estar conectada às novas tecnologias de informação. Essa é uma área que muito me encanta e fazer parte dela é essencial na atualidade.
IJ - Em seu blog, não se lê muito comentários sobre notícias, qual tema você prefere abordar?
Susane Vidal
Em meu blog procuro falar sobre temas variados, aqueles que nos cercam no cotidiano. É um espaço em que aproveito para expressar minha percepção sobre o mundo, e, invariavelmente, a condição humana tem destaque garantido em meus posts. Nem sempre me reporto às notícias porque já tenho outro canal específico para isso. No blog, me aproximo do público, numa relação um pouco mais intimista, ao abordar assuntos genéricos, com um olhar crítico e pessoal.
IJ - Como você interage com seus fãs?
Susane Vidal
Na medida do possível, respondo os comentários. Confesso, que nem sempre consigo fazer isso na velocidade que gostaria por uma questão de tempo, mas procuro sempre publicar os comentários postados pelos meus leitores.
IJ - Seu blog é profissional, está valendo a pena o investimento em ter domínio próprio, web designer.
Susane Vidal
O investimento tem tido o retorno esperado.
IJ - Além de apresentadora, você é professora, como lida as duas funções com o blog e se incentiva seus alunos a entrar na blogosfera
Susane Vidal
Como jornalista e professora de comunicação procuro sempre incentivar meus alunos a estarem conectados à internet, com as redes sociais e blog's. Ressalto sempre que é importante saber utilizar cada ferramenta para o melhor aproveitamento profissional e pessoal. O mercado é exigente e busca profissionais habilidosos na arte de se comunicar.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Redações jornalísticas, lugar onde sai boa parte do que você ouve, lê, assiste e navega. Por trás de uma notícia há um termo que jornalista, diretor, executivo de contas e designe gostam de ouvir: caralho.
Sim, este pequeno palavrão é muito usado em uma redação e se não usa, alguma coisa está errado. É como o viciado em café, que se não tomar o líquido preto fica com dor de cabeça.
O repórter por exemplo, gosta quando ouve: "que matéria do caralho cara!".
O produtor só sossega quando o repórter diz: "que pauta do caralho!".
E o diretor? Ouvir "que audiência do caralho!", é como músicas para os ouvidos.
O executivo de contas não fica quieto quando vende, mas vai dormir um sono daqueles quando recebe o elogio: "as vendas este mês foram do caralho!".
E o designe? É caralho para tudo, desde uma peça de mal gosto a um trabalho de gênio. Caralho neles!
Meu chefe por exemplo, é desses que não desperdiça um caralho. É só chama-lo de chefe que ele retruca: "chefe é o caralho!".
Para terminar, pai, não deu para usar os palavrões substitutos.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Confira a última crônica de Cleomar Brandi
A última saideira
“Um dia, uma noite, algum boêmio sempre pede a saideira e os garçons nunca gostam dessa história. Mas, o certo, é que sempre chega a hora da última saideira. Dessa vez, chegou minha hora, meu último gole.
Eu, pessoalmente, não diria que estou indo contrariado. A hora e a vez de Matagra. Afinal de contas, soube beber com sede de aprendiz o melhor que havia na taça que a vida me ofertou. Uma taça lavrada, rescendendo a conhaque.
Nadei nas águas mornas de Arembepe, conheci Raulzito quando ele ainda se juntava aos seus panteras, com Thildo Gama e outros, vi Caetano, Moraes Moreira, Pepeu no encontro de trios, enquanto o poeta apontava com a mão a Baía de Todos os Santos. Arpoei caramuru, tirei polvo da toca, garanti as moquecas da minha adolescência, fui recordista de natação, ungido por Oxalá.
Fui bom de porrada, fiz meu nome nas turmas de rua do Lago dos Aflitso, joguei futebol e, nos babas, ganhei o apelido de “Leonam” onde sou conhecido assim até hoje. Fui batizado nos puteiros da Ladeira da Montanha, conheci Mestre Pastinha e Mestre Bimba, vi meu “Bahêêêa” ganhar para o escrete do Santos e Waldemar Santana encher Hélio Gracie de porrada.
Conheci os mistérios dos becos e ladeiras da velha Salvador, fui amigo de Cid Teixeira, Capinam, Guido Guerra e Luis Orlando, encarei dois anos de internamento no Hospital das Clínicas, tive febres diárias, colecionei escaras coloridas, vibrantes e sangrentas, decepcionei laudos médicos, busquei o tempo que eu queria da minha vida.
Um dia, uma brisa morna me carregou para o colo da bela Aracaju, onde eu soube ser feliz, no tempo que me restava. Aqui, bebi os melhores conhaques da minha vida, amanheci nas libações madrugadoras com o amigo-irmão José Eduardo Sousa, soube ouvir o violão de Pantera, a melodia de Paulo Lobo, o blues de Soyan, as conversas de Mariano e Bel nas andanças do Imbuaça. Aqui, plantei amigos, colhi irmãos, como o grande parceiro Gilson Sousa. Aqui, ouvi a melodia do Cataluzes, comi o melhor pirão de caranguejo do Pastelão, me fartei dos mistérios culinários da cozinha de Camilo.
Nessa terra, amei mulheres que reverencio até hoje. Fiz poemas para algumas, embriaguei-me com outras. Como esquecer do sorriso de Arlinda, que ganhou o mundo e acabou na Sorbonne? Como esquecer do sorriso sacana de Ana Paula? E os finais de tarde no Mosqueiro? E o chiado da tainha na frigideira do Bar de Nem? E a amizade terna da turma do JORNAL DA CIDADE e da Aperipê TV.
Como esquecer da lealdade de meus irmãos a vida inteira? E de Christina Brandi, cunhada que se tornou irmã? E da cumplicidade do irmão Chico Neto, que trilhou a vida inteira os caminhos do bom jornalismo, ético e honesto?
Um dia, o velho barril de carvalho pinga sua última gota de conhaque. E o poeta se despede de tudo, sem tristezas nem vexames. Apenas sabendo que cumpriu seu papel com dignidade, com honestidade e com um brilho de crianças nos olhos.
Quem sabe, eu encontre o amarelo dos girassóis nesse novo caminho?
PS: Os amigos estão convidados para a última saideira no Bar do Camilo, assim que terminar o sepultamento. Já está pago.”







