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terça-feira, 23 de julho de 2013

Recentemente falei como funciona o trabalho de um pauteiro no texto "A pauta que o pariu". Hoje vou mostrar como funciona a relação entre estes profissionais, também conhecidos como produtores, e os repórteres. São atividades diferentes, mas um depende do outro para produzir um bom conteúdo jornalístico.

É mais ou menos assim:

Repórter liga para o pauteiro e diz - Você colocou na pauta que o entrevistado estaria na praça às 15h, são 15h05min e nada dele. Tem certeza que ele falou 15h?

O produtor, que está apurando mais duas possíveis pautas responde - Claro que eu tenho. Você ligou para ele quando chegou?

O repórter responde - Eu ainda tenho que ligar? Pensei que já estivesse tudo certo.

O produtor percebendo a 'boa vontade' do repórter cutuca - Claro que está tudo certo, mas ele pediu para ligar e eu coloquei na pauta esta informação. Você leu?

O repórter olha na pauta para ver se realmente tem esta orientação e diz - Claro que eu li, só achei que já estava tudo certo.

Pauteiro, agora com um tom que se usa para mandar o repórter a lugares impublicáveis, mas diz - Então liga para ele e faça a entrevista.

Três minutos depois...

Repórter - Estou ligando, mas o telefone do entrevistado está desligado.

Produtor - Como assim? Ligou para os três números que indiquei?

Repórter - Sim, os três não estão concluindo a ligação.

Produtor - Só um momento...

Dois minutos depois...

Produtor - Acabei de falar com ele, ele disse que está no banco de frente para o Mercado, como indiquei na pauta. Onde você está?

Repórter - Aqui na pauta só diz que ele estaria na praça, e eu não o vejo. Estou no meio da praça.

Produtor - Está no último parágrafo. Vá até o banco em frente ao Mercado que você vai encontrá-lo.

Assim, o repórter encontra o entrevistado 30 minutos depois, que vai logo avisando: - vocês demoraram muito, só tenho cinco minutos para a entrevista.

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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013


Um número considerável de jornalistas, me incluo nesta lista, odeia decupar entrevistas. A maioria deles, também estou incluído, ama ver o trabalho editado. As longas entrevistas costumam dar qualidade à audiência. Não é qualquer um que tem paciência para consumir este produto jornalístico. Mas até chegar na parte da edição...

A melhor parte é a da entrevista em si. Quando você liga o gravador e começa a extrair o que de melhor, ou pior, seu personagem tem a oferecer. Tem umas vinte perguntas selecionadas, mas na maioria das vezes, as melhores respostas saem de uma pergunta que teve como gancho a resposta anterior.

Após o bate papo, alguns colegas partem logo para a missão de colocar a conversa no papel. Já não tenho este perfil. Prefiro ouvir uma, ou duas, vezes a conversa antes de transcrever. Esse trabalho me ajuda a pensar na edição. Depois, computador ligado, fone no ouvido e play no gravador.

E começa o sacrifício

Alguns entrevistados são tão lentos ao falar que você pode digitar e ouvir ao mesmo tempo. Mas a maioria fala na velocidade normal. É quando precisa pausar o gravador. Você pode ter umas mil horas de decupagem, mas sempre vai confundir o pause com o stop. E o cabelo paga o pato.

Me orientaram a passar a gravação para o computador e dele fazer a decupagem, mas nem assim escapo do erro. Aliás, ganhei duas teclas a mais para me confundir: o de ir para próxima faixa e vice-versa.


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