Desde criança meu pai me ensinou que tudo que fazemos, colhemos. A metáfora que ele sempre usa é bíblica lei da semeadura: quem planta, colhe.
Quando criança, costuma juntar aos amigos, pegar um pedaço de borracha e amarrar em um fio de náilon. Quando uma pessoa passava, a gente puxava e a assustava como se fosse uma cobra.
Tempos depois, já formado e em serviço com Diego, o motorista, fazendo uma matéria sobre o abandono da praça Olímpio Campos em Aracaju, o efeito cobra mim fez colher as travessuras de infância.
Estranhei um movimento na água da piscina, que estava escura. Em seguida, preparei um salto daqueles e liguei as turbinas para sair correndo, se efetuasse a corrida bateria o record de Usain Bolt.
Uma mangueira amarela que enchia a piscina saiu da água serpenteando e acelerando o coração deste repórter. Como disse, preparei as turbinas, mas não cheguei a usa-la. É que a água estava forte e imaginei: uma cobra não cospe deste jeito.
De qualquer forma, minhas vítimas não tinham um jato d'água para avisa-las da pegadinha.



